visitante(s) soprando palavras ao vento




20.2.06

Em algum ponto a poesia
Cançou e caiu
Num dia que não nascia
Versos que ninguém viu:

Versos sem dias perdidos
Em dias dias sem versos,
Sem emoção e pensamentos diversos.
Então, quando todos os poemas esquecidos
E todos os poetas que não faziam escritos
Foram proscritos,
Todo os Cosmos tornaram-se ridículos e acabaram-se os universos...
Sem sentido nenhum,
Os deuses passaram a murchar como flores mortas;
Foi quando seus corações fecharam todas as portas
E tombaram esquecidos, um a um.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 5:21 PM
 


9.2.06

Canavial

Produção:
Mínimo de 6,5 toneladas ao dia.
Um golpe para cinco canas.
Rostos e corpos
Suados, encarvoados e empoeirados
Com a cabeça enrolada em trapos
Debaixo de chapéu palha e sol quente
Sem pensar em versos...,
Sem nunca ler versos.
Versos pra quê?!
Versos não tombam cana
E nem pagam salário.
No canavial a vida
Resume-se nisso:
Tombar de cansaço ao fim do sia,
Acordar amanhã antes do sol,
E com braço, coragem e facão,
Tombar elefantes de sol à sol,
Sem lirismos, bela fotografia e comoção.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


QUEM me dera poetizar
Como o brilho das estrelas
No resplendor de diamantes,
Alimentados pelas chamas
De um coração ardente,
Que delirante e dançante...
Emana calor em versos
Feito aquarelas pintadas
Sem pincel nos corações.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


É PROVÁVEL que nem a morte
Revele algum sentido para as coisas;
E nisso consiste um dógma ateu.
Mas é verdade, que com ou sem Hades,
O sentido das coisas só existe por nós:
Somos deuses ao dar sentido às coisas.
Nosso maior milagre é quando damos um sentido à nós mesmos;
Milagre grande,
De tão certo que somos certos de sermos incertos...
E eu também.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


"É preciso saber presevar-se: a mais dura prova de independência."
Nietzsche


"Tudo o que somos é resultado que pensamos. Se uma pessoa fala ou age com mau pensamento, o sofrimento a segue como as rodas seguem as patas do boi que puxa o carro. Se uma pessoa fala ou age com pensamento puro, a felicidade a segue, como a sombra que não a abandona - enquanto está na luz".
Sidharta Gautama - Buda.



Césares Perdidos

Nunca fui César ou símbolo de César
Cá na existência que levo;
Nem tive o respeito em meus versos,
Que os césares, em suas existências,
Tiveram ou julgaram ter.
Também, por não ser lembrado na história,
Não fui esquecido como todos os césares
E homens grandes perdidos
Na memória borrada dos alunos de História.
Porém,
Já esperei algo de meus versos:
Que eles pudessem continuar para além do que continuarei.
Mas vi, e não medi o quanto entendi,
Que na didática dos poemas se aprende muito,
Inclusive sobre ser ser humano,
E também sobre a inutilidade de escrevêlos.
Porém, diria Goethe:
"De que serve o eterno criar
Se a criação em nada acabar".


Poema de: Francisco Maximiano da Silva


"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Isso me alegra, montão".
Riobaldo Tatarana, personagem de João Guimarães Rosa em Grande Sertão:Veredas

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 12:18 PM
 
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